Uncreated.net - Yorik van Havre & Maíra Zasso architects

architecture for human beings

Textos

Abaixo estão alguns textos, ideias e artigos que escrevemos.
See below texts, ideas and articles written by us.

POR QUÊ NÃO SOMOS “ESPECIALISTAS”?

Escrito por Maíra em 21.03.2016

A resposta mais sintética é: porque nós acreditamos na inovação. Mais do que acreditar nós queremos participar da inovação, queremos criar a cada novo trabalho um projeto único e precisamente adaptado à situação que nos for apresentada. As novas ideias não surgem em um passe de mágica. A inovação ocorre na interação. Quando juntamos ideias preexistentes para inventar uma nova. Quanto mais expostos estivermos às técnicas e programas de necessidades diferentes, mais aptos estaremos a dar respostas eficientes às demandas de nossos clientes.

As especialidades da arquitetura e urbanismo são o ambiente edificado e a cidade.

Qualquer projeto, não necessariamente um projeto arquitetônico, consiste num esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo.

Um projeto arquitetônico é um projeto que se desenvolve dentro de outro: o desejo de alguma pessoa, empresa ou instituição de construir alguma coisa. Ele é concebido quando surge a primeira ideia de edificar, evolui para um planejamento de quem teve a ideia (quando, como, onde, quanto?) até desembocar na implementação onde ele está inserido e onde o arquiteto aparece, e se estende ainda pelo monitoramento e controle (tanto do projeto quanto da obra) e posterior finalização.

Quando fazemos projetos arquitetônicos, urbanos ou paisagísticos e obras com programas de necessidades diversos, estamos antes de tudo, sempre fazendo um projeto. Todos os projetos são feitos sobre uma base comum, mesmo que sejam projetos de urbanismo ou paisagismo. O fato de projetarmos ora um centro comercial, ora um prédio de apartamentos, uma reforma, ora um jardim ou praça é o motor de propulsão de ideias da nossa profissão. Nunca algo a ser evitado. Sempre algo para ser celebrado.

Quando temos oportunidade de trabalhar sobre um projeto que possui um programa inédito é uma alegria imensa que se instala. Vamos estudar e aprender novidades, relacionar com toda a bagagem que carregamos durante a vida profissional e assim vamos descobrir novas ideias, novas soluções, em vez de ficar esperando que alguém faça isto por nós.

Desde nossa formatura participamos de inúmeros projetos, com as mais variadas escalas e necessidades. Isso fomentou dentro de nós o gosto pela diversidade e também um grande jogo de cintura para resolver problemas de todo o tipo. Isso é o que gostamos de fazer e o que queremos oferecer para os nossos clientes: criar ambientes adaptados às necessidades de cada projeto, econômicos, sustentáveis e inovadores. Oferecer o nosso saber para encontrar a melhor solução. Nos superarmos a cada novo projeto. Sempre ficando à disposição para resolver qualquer problema que surja desde o primeiro encontro, o primeiro risco de lápis até a última instalação ser concluída.

O material de estudo da arquitetura é o espaço construído em todas as suas partes e interações, e nesse sentido acreditamos ser essa a especialidade primordial do arquiteto.

CONDOMÍNIOS CONECTADOS

Escrito por Maíra em 15.03.2016 - Acompanhe o projeto Condomínios abertos

Dentro do trabalho que realizamos, buscamos constantemente o balanço entre três grandes variáveis: social, ecológica e econômica. Essas variáveis formam um triângulo equilátero, da mesma maneira que a conhecida variável do “bom, barato e rápido”. Não conseguimos alterar uma das variáveis sem que as outras sofram alterações. Partindo desse raciocínio, começamos a procurar soluções que pudessem aumentar o impacto social e ecológico de um projeto sem torná-lo excessivamente caro (impacto econômico).

Nessa busca, percebemos que grande parte dos projetos que temos visto no nosso dia a dia de trabalho perdem em competitividade econômica apenas pela localização do terreno onde são construídos: o que falta a eles é infraestrutura urbana. Pensamos como infraestrutura urbana não apenas o acesso a serviços públicos (escolas, hospitais, etc), transporte e saneamento, mas também o acesso a comércio e serviços gerais de maneira fácil e rápida e ruas com mais espaços verdes e pedestres.

Essa falta de infraestrutura pública certamente pode e deve ser sanada por entidades do poder público no que diz respeito às grandes obras, mas acreditamos que a maneira como se projeta tem uma influência substancial sobre como o edifício se comporta em relação ao entorno e vice-versa. Esse comportamento pode tornar o edifício e a região mais atrativos ou mais repulsivos, ou torná-lo apenas algo neutro na paisagem.

O motivo pelo qual devemos nos esforçar para criar projetos que tornem a região mais atrativa e não apenas o próprio terreno é que as pessoas escolhem onde morar não apenas por motivos econômicos, mas também pelo que a região tem para oferecer. Se a região oferecer mais infraestrutura urbana, mais espaços verdes, mais segurança, mais comércio e serviços ela vai atrair mais moradores e se tornará mais viva.

As pessoas escolhem uma cidade ou bairro primeiramente não pelo espaço construído, mas pelo que acontece entre o espaço construído, pelo que esse lugar tem para oferecer em termos de qualidade de vida. Porque as pessoas gostam tanto das cidades europeias? Porque tem muitas coisas para se fazer, não apenas falando de trabalho, mas de vivência da cidade mesmo.

Quando andamos numa rua onde só existem condomínios ou casas com muros altos e calçadas estreitas não achamos interessante. Não tem o que fazer, você anda e nem consegue comprar alguma coisa, descansar numa sombra, olhar uma flor. E isso faz com que você só ande de carro. Até chegar em algum lugar onde você possa fazer isso. Mas assim, você está aumentando o trânsito e também os engarrafamentos.

Quando ao projetar nós pensamos no entorno, estamos deixando espaço na cidade para as pessoas conviverem. E mesmo que essa brecha seja muito, muito pequena se muitos projetos fizerem o mesmo vamos proporcionar um lugar muito mais agradável de se morar. E lugares mais agradáveis de se morar são mais procurados e por isso mais valorizados economicamente, mesmo que eles ainda não tenham toda a infraestrutura disponibilizada pelo governo. E um benefício que agrega valor ao projeto a longo prazo, mesmo que a princípio seja preciso fazer algumas concessões.

Quando um edifício “vira as costas” para a cidade para viver apenas fechado em condomínio, ele está dispensando uma conexão que não apenas lhe é importante do ponto de vista social, mas também do ponto de vista econômico. Claro que se estivermos falando de um edifício já construído (ou projetado) no centro de uma cidade o impacto é menor, pois a infraestrutura pública estará presente na maioria absoluta das vezes, ainda que a social seja subaproveitada.

Da mesma maneira, quando o projeto de um edifício ignora o impacto do aspecto ecológico no bem-estar de seus usuários e do entorno, ele faz mais que isso: ele faz que o mesmo perca competitividade econômica no futuro. Passamos os últimos anos trabalhando em projetos habitacionais de baixo custo. Nós moramos em São Paulo, e não vimos uma diferença grande entre os prédios onde nós ou nossos amigos moram e os prédios em que trabalhamos. A diferença de acabamento é pequena e a de área é inexistente. A grande diferença é o acesso à infraestrutura. Existem outras pequenas diferenças, mas essas serão assunto de outra discussão e posterior sintonia fina.

O que queremos demonstrar aqui é como, com mudanças simples no projeto, podemos aumentar de maneira significativa a qualidade de vida no edifício e também no entorno, aumentando seus benefícios e inclusive o valor de mercado. Que podemos trazer a cidade para o entorno do projeto, ajudar a construir o tecido social e ecológico do entorno usando o próprio edifício, e não apenas esperando que as soluções venham todas do governo.

Assim podemos construir em um terreno de custo inicial baixo e transformá-lo posteriormente em um empreendimento com preço de venda maior pela atratividade que o mesmo passará a exercer no entorno imediato.